Crise, confiança e coragem

FIBRA
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Nossa quase cinqüentona Brasília é peculiar em diversos sentidos. Aqui a arquitetura é diferente, o trânsito, a qualidade de vida… então por que a economia brasiliense haveria de ser igual às outras? Por que haveríamos de atravessar a crise financeira da mesma forma que as outras cidades? É fundamental, portanto, identificarmos o que temos de singular e tirar vantagem disso. As características que tornam a capital da República diferente estão a nosso favor neste momento de turbulência global. A primeira está na nossa população. Boa parte dos trabalhadores de Brasília atua no serviço público, cuja estabilidade não é abalada pela tempestade financeira. Muitos desses profissionais receberam aumento no ano passado e não tiveram o poder de compra reduzido, apesar da desconfiança. Com isso, o comércio local não amarga tanto os efeitos da crise. E as indústrias que fabricam para ele não têm a demanda gravemente reduzida.O segundo fator que nos torna diferentes está no nosso parque industrial.

A produção do Distrito Federal é concentrada em bens de consumo semi e não duráveis. Além disso, muitas das nossas indústrias têm entre os principais clientes órgãos públicos, como as gráficas e as empresas de tecnologia da informação. Como não há crise no setor público, a demanda dessa clientela permanece.Temos, ainda, uma verdadeira parceria do setor produtivo com o governo local, cada um com o seu papel. Sem falar da união da classe empresarial, que fortalece cada um que contribui para o desenvolvimento econômico da nossa capital. Juntas, todas essas características dão a Brasília uma condição favorável para enfrentar a crise e dela escapar sem seqüelas.No fim do ano, vivenciamos um período de incertezas, tivemos nossas expectativas de faturamento frustradas, assim como nossa meta de exportações. Ainda assim, os resultados de 2008 superaram os do ano anterior. Isso mostra que estamos fortes. Agora o cenário está mais claro e chegou a hora de colaborarmos para espantar a crise o quanto antes. Temos de buscar fôlego para assumir o nosso papel e trabalhar para manter a economia aquecida.Nesse sentido, o que temos de mais valioso são os nossos trabalhadores.

Sabemos que conseguir mão-de-obra qualificada não é fácil. Por isso, entre os principais esforços dos 11 sindicatos que compõem a nossa federação está o constante investimento na capacitação profissional. Seria incoerente, apesar do momento de dificuldade, abrir mão de trabalhadores que nós mesmos formamos. É responsabilidade nossa nos desdobrar para assegurar esses postos de trabalho, garantindo o poder de compra das famílias brasilienses e fechando o ciclo que movimenta a economia. Vamos substituir o C de crise pelo C de confiança e coragem. Lutar para tirar o pé do freio e retomar a aceleração que vínhamos proporcionando à indústria da capital. Ser confiante e corajoso não significa ignorar que as condições para empreender no Brasil estão longe do ideal. Para que possamos de fato cumprir nosso papel no desenvolvimento, é necessário que a alta carga tributária que pesa sobre nós dê lugar a uma legislação justa. Não me canso de repetir: temos de nos mobilizar para impedir que reforma tributária se arraste por ainda mais tempo no Legislativo. Passou da hora de ela se tornar realidade.

Antônio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)

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