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FIBRA
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Nesta edição, tratamos de um tema controverso. A redução da jornada e o aumento da hora extra dos trabalhadores. Num país em que fazemos sacrifícios para tocar nossos negócios – ajudando o crescimento pela criação de empregos e riquezas, pagando impostos pesados e arcando com juros que emperram o desenvolvimento –, enfrentamos uma proposta que é mesmo um golpe na produção. Quem defende a diminuição argumenta que ela melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, reduziria acidentes, resultaria em empregados menos cansados e, consequentemente, mais produtivos. Em 30 anos de experiência empreendedora, aprendi que o mais importante é proporcionarmos aos nossos colaboradores as melhores condições de trabalho, motivá-los e contribuirmos para que tenham acesso a serviços de cidadania, saúde e cultura – como temos feito com o auxílio do Serviço Social da Indústria (Sesi) e por meio de ações isoladas. É nosso dever prezar pela qualidade de vida dos que nos ajudam a crescer.
Os benefícios da menor jornada ao funcionário devem, sim, ser considerados. Mas o cenário está longe de ser propício para um corte nas horas trabalhadas. Enquanto não estivermos num terreno fértil para o crescimento, não teremos condições de suportar o ônus de uma mudança como essa. Como diz o colega Antônio Soares Filho (na página 30 ele mostra o impacto que a redução teria na confecção dele), para “reaquecer e manter a economia estável, é preciso fazer uma reforma ampla e real nas leis trabalhistas”. É disso que o País precisa: propostas que de fato colaborem para o crescimento sustentável do Brasil, para a melhoria das condições de vida dos cidadãos, para o respeito à saúde, para o acesso à educação em todos os níveis.
O ministro da Previdência, José Pimentel, que recebeu nossa equipe em seu gabinete e concedeu a entrevista desta edição, diz que as novas tecnologias exigem menor esforço das pessoas. Por isso, menos horas diárias poderiam ser demandadas da força de trabalho. Na teoria, faz sentido. Sabemos, porém, que os avanços tecnológicos só trazem resultados se colocados em prática por profissionais bem preparados. As máquinas não vieram para substituir trabalhadores, mudaram apenas a composição dos fatores de produção. Tornam a jornada mais segura, menos árdua – e, assim, permitem que os colaboradores se dediquem a outras atividades. O mesmo avanço que nos trouxe a informatização e a anulação das fronteiras impõe às empresas um ritmo intenso para mantê-las em condições de disputar o mercado local, nacional e global. Seria lamentável que, no momento em que o Brasil está em processo crescente de afirmação econômica de respeitabilidade internacional, como bem lembra o ministro, perdêssemos a chance de conquistar mais espaço na economia mundial.
A criação de empregos vem sendo usada como uma justificativa para a diminuição da jornada. Com o aumento do valor da hora extra, os defensores da proposta acham que será possível obrigar as empresas a contratar e resolver o problema do desemprego no Brasil. Com o custo que nos é imposto para manter um funcionário, ficaria difícil. Ainda mais para as micro e pequenas empresas – responsáveis por 99,2% dos postos de trabalho no País. Seria quase um incentivo à informalidade, que tanto temos combatido, com o apoio do próprio governo. Ora, sabemos que o caminho para a criação de empregos é o crescimento econômico. E isso só pode ser obtido pelo estabelecimento de condições favoráveis ao empreendedorismo e à competitividade.