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FIBRA
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Antônio Rocha
No ano passado, Brasília ficou em sexto lugar no ranking das cidades do mundo que apresentaram o maior aumento de preço da diária de hotéis. Embora o Rio de Janeiro seja uma das cidades com taxa de hospedagem mais caras no mundo, Brasília é a cidade brasileira onde houve maior aumento proporcional. Em 2010, os hóspedes pagavam, em média, R$ 214 por uma noite em um quarto de hotel na Capital Federal, enquanto que, em 2011, o valor subiu 18%, passando para R$ 252. Para se ter uma ideia, na mesma lista, São Paulo surge na décima posição, com aumento de 13%. Já o Rio – apesar de ter taxa caríssima, em torno de R$350 – não figura entre os dez maiores aumentos, embora sua diária de hospedagem tenha subido 11%. Enquanto isso, na média mundial, os preços subiram apenas 4%.
A pesquisa diz que o desempenho brasileiro é resultado da grande demanda de negócios nas cidades pesquisadas e da falta de estabelecimentos para atender a este público. No que se refere à demanda de negócios, comemoramos, haja vista que Brasília está na rota do desenvolvimento econômico e social brasileiro. Entretanto, no que se refere à pouca quantidade de leitos, isso nos preocupa, visto que a partir do ano que vem já teremos forte movimento na cidade por conta da abertura da Copa das Confederações e, na sequência, a Copa do Mundo. Estima-se que a Capital Federal precise de pelo menos mais 8 mil leitos para receber os visitantes.
O governo federal está trabalhando o Plano Nacional de Turismo, com vistas a aumentar o número de turistas internacionais que o Brasil recebe por ano, que gira em torno de 5 milhões. Para 2015, o governo projeta um fluxo de 7,1 milhões, superando a Argentina, que opera com um número de 5,7 milhões por ano. Para isso, é necessário que se eleve a competitividade do País e se promova a desoneração do setor industrial para que produzamos mais e os turistas estrangeiros possam gastar mais aqui. Atualmente, os gastos dos brasileiros no exterior correspondem a mais do que o dobro dos gastos dos turistas estrangeiros no Brasil, que em 2011 somaram US$ 6,7 bilhões.
Brasília tem condições de figurar no leque de opções para o turista se sua economia ultrapassar a fronteira da política e da arquitetura, abrindo-se também uma porta de entrada para o consumo. Não há dúvidas de que a Capital Federal é uma metrópole muito visitada. Afinal, temos o centro do poder político e também as representações diplomáticas. Nosso desafio, porém, é aprimorar nossa vocação turística para a economia circular em todas as frentes de negócios e não somente na rede hoteleira. Precisamos de uma indústria forte não somente para erguer hotéis e fornecer alimentação, mas também para abastecer nosso comércio, oferecendo ao turista opção de consumo de bens com baixo preço e boa qualidade. Vocação para isso nós temos, só nos falta o empenho maior, inclusive dos nossos governantes. Não vemos prejuízo em termos leitos de hotel com preços altos, desde que tenhamos, de fato, o que oferecer de diferencial aos nossos turistas.