Educação profissional

FIBRA
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Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense, em 26 de julho de 2010.

Falta mão de obra qualificada no Brasil e sobram motivos para os jovens optarem pela educação profissionalizante. Ter um curso técnico no currículo, hoje, pode significar facilidade de inserção no mercado de trabalho, melhores salários e maiores chances de empregabilidade formal. Antes considerada uma via de segunda classe, vale a pena enxergar na educação profissional uma alternativa vantajosa, merecedora de investimentos e atenção por parte das autoridades.

Atualmente, os cursos profissionais, em particular, e a educação, em geral, têm perdido espaço na escolha dos trabalhadores em início de carreira. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Instituto Votorantim, o número de jovens de 18 a 24 anos que estão em alguma instituição de ensino caiu de 7,5 para 6,9 milhões, entre 2006 e 2008. Esse dado preocupa, principalmente porque as empresas não estão encontrando trabalhadores na qualidade desejada.

Os jovens têm deixado de apostar em qualificação à medida que precisam dedicar esforço integral ao trabalho e ao sustento da família. Pesa, contudo, a falta de informações que os ajudem a fazer uma boa escolha. Nesse sentido, a pesquisa da FGV nos mostra que na corrida por postos de trabalho o ensino profissionalizante tem sido o caminho mais rápido e eficaz para conseguir um emprego. Primeiro, por ser de prazo mais curto e mais fácil de conciliar com o trabalho. Segundo, por representar um diferencial competitivo.

A chance de quem fez ensino profissionalizante conseguir um emprego é 48,2% maior do que a de quem estudou somente até o ensino médio e não tem outra qualificação. Ou seja, na grande maioria dos casos, o jovem que apostar na realização de um curso técnico vai sair empregado. Isso mostra como a educação profissional pode ser importante para quem está em dúvida entre continuar estudando ou seguir definitivamente para o mercado. Já o ensino superior, visto por muitos como o único capaz de gerar boas posições, é inalcançável para maioria dos brasileiros e necessita de muito mais tempo para sua conclusão.

Sob esse ponto de vista, as instituições brasileiras e os órgãos governamentais precisam investir na educação profissional como forma de atacar “o apagão de mão de obra” vivenciado no Brasil e promover cidadania. O sistema da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) acredita que esse esforço serve, em última instância, para elevar a competitividade da indústria local.

Por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF), o Sistema Fibra em 2010 oferece 254 cursos nas modalidades técnico, aprendizagem, qualificação e aperfeiçoamento, todos em sintonia com as necessidades do setor produtivo. Para isso, o Senai-DF conta com suas unidades físicas (núcleos e escolas) e móveis, espalhadas por toda cidade e região, no âmbito do programa Senai Além dos Muros das Escolas. Graças a esse trabalho, ano passado a indústria formou para indústria 12.327 alunos. Ao longo de toda história da instituição, foram atendidas mais de 350 mil pessoas.

Não por acaso, a mesma pesquisa da FGV apontou que o Distrito Federal é a unidade da federação com a maior proporção (31,13%) de pessoas com algum curso profissionalizante, seja de qualificação profissional, técnico de nível médio ou tecnólogo. Número que consolida o Senai na posição de maior instituição de formação profissional do País e também do Distrito Federal.

Ter um curso técnico é, particularmente, ainda mais atrativo no Distrito Federal. Os alunos de cursos profissionalizantes daqui são os que mais ganham em todo o Brasil. Em média, o salário praticado no DF chega a R$ 1.403, ante R$ 1.307 praticado em Santa Catarina e R$ 1.004 ofertado em São Paulo. Esses outros estados aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, no ranking dos melhores salários.

O que os números mostram, de uma forma geral, é que os retornos da educação profissional são altos. Mesmo quando se compara com a escolaridade formal, para o trabalhador ter um curso técnico significa melhores condições de salário, ocupação e formalidade. Para indústria brasileira, trabalhadores bem qualificados representam um setor mais forte e competitivo. Promover a educação profissional e tecnológica é investir no desenvolvimento econômico do Brasil e no bem-estar da nossa população.

 

 

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