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FIBRA
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Desenvolvimento sustentável é um tema que habita em lugar de destaque na política mundial. Consolidação desta vertente, o Planeta terá neste mês de junho a oportunidade de discutir os rumos para a posteridade. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio +20, realizada no Rio de Janeiro mais uma vez após a Eco 92, traz à tona não somente a preocupação com a questão ambiental, que é o nosso futuro em debate. Por esse motivo, venho refletir aqui um pouco sobre a economia sustentável. Afinal, o desafio geral é conciliar o desenvolvimento industrial e tecnológico com a preservação da natureza sem que isso afete a produtividade e, por consequência, os empregos.
A chamada economia verde deverá ser analisada no contexto da erradicação da pobreza, e das leis e constitucionalidades. A proposta é mostrar que economia e meio ambiente são interligados e viáveis, transformando o sistema econômico mundial baseado em grandes desperdícios num novo sistema baseado nas chamadas energias limpas. A indústria deve se preocupar e cuidar para que seus resultados se revertam em melhoria do bem-estar humano e equidade social, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a demanda sobre recursos escassos do ecossistema. Devemos gerar tecnologias inovadoras e criar ambientes de negócios socialmente responsáveis, especialmente ampliando o propósito das corporações para além dos resultados econômico-financeiros.
O Brasil, por exemplo, é um dos países que mais recicla garrafas PET e latas de alumínio. A reciclagem do aço preserva 110 mil toneladas de minério de ferro, um material de cara extração. Já o plástico reciclado consome apenas 10% do petróleo exigido na produção de plástico virgem. Uma tonelada de papel reciclado representa 20 árvores poupadas. Ou seja, a reciclagem é um caminho já garantido. A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010, obriga os municípios a terem mais coleta seletiva e decreta o fim dos lixões até 2014. Há, hoje, entre 400 e 600 mil catadores de materiais recicláveis no Brasil, reunidos em aproximadamente 1.100 organizações coletivas em funcionamento em todo o País. A prática colabora com a preservação de recursos naturais, proporciona o uso racional de energia e diminui a emissão de gases de efeito estufa. E também traz ganhos para a economia.
De acordo com projeção do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), haverá um ganho em torno de R$ 8 bilhões por ano com a exploração do potencial de reciclagem no Brasil. Isso, entretanto, exige um esforço conjunto de todos os níveis da sociedade. Quanto maior for o interesse do consumidor em comprar produtos reciclados, maior será a possibilidade de aumentar esse mercado de forma bastante positiva. Se cada indivíduo fizer sua parte, não somente a economia do País – com maior geração de empregos e produtos de melhor qualidade no mercado -, mas todo o sistema poderá ser beneficiado com menos poluição e melhor qualidade de vida para toda a população. Isso é mais do que um evento político e acadêmico. É cidadania.